Pular para o conteúdo
Manoela Santos

Não estudei a migração de fora. Eu atravessei, e é dessa travessia que escuto.

Sou psicanalista e sou imigrante. Já morei em cinco países e atendo online, em português, brasileiros que vivem longe do Brasil.

Sei o que é responder a uma notícia da família com horas de atraso, o que é um domingo em outro idioma e o que é já não se reconhecer nem no país de saída nem no de chegada. Você não precisa me explicar isso antes de começar. Pode falar em português e ser entendida na primeira tentativa.

Agendar conversa
Foto de Manoela Santos, psicanalista

Meu nome é Manoela Santos. O que me trouxe até este trabalho não foi um interesse teórico pela migração. Foi a própria travessia.

Não sou viajante, sou imigrante. Já morei em Portugal, na Espanha, na França, na Argentina e nos Estados Unidos. Ao todo, já passei por mais de quinze países, e houve um tempo em que vivi como nômade digital, com a rotina inteira dentro de uma mala.

Sou mãe e esposa. Minha filha nasceu em Portugal e cruza fronteiras comigo desde os quatro meses de vida. Ela cresce entre idiomas, entre despedidas e entre dois jeitos de dizer casa. Ver isso de perto mudou a forma como escuto quem chega até mim com a mesma questão.

Sei, na minha pele, que estar longe não é só geografia. É uma posição. A mãe que envelhece do outro lado do oceano, a culpa que aparece nas datas comemorativas, o filho que responde em outro idioma, a dúvida sobre voltar ou ficar que retorna sempre em silêncio: nada disso cabe inteiro numa conversa traduzida.

Os países onde eu já morei

Cada mudança me ensinou algo diferente sobre chegar, sobre recomeçar e sobre a saudade que não avisa quando vem.

Portugal

Espanha

França

Argentina

Estados Unidos

Por que eu escuto quem vive fora

Minha formação é recente, e digo isso em vez de inflar um currículo. O que trago de mais sólido para a escuta não é tempo de estrada. É ter atravessado, com o corpo, aquilo que quem me procura está atravessando agora.

Isso muda coisas pequenas e decisivas. Não preciso que ninguém me explique o que é um domingo em outro idioma, o que é responder a uma notícia da família com doze horas de atraso, ou o que acontece quando você já não se reconhece nem no país de saída nem no de chegada. Você pode falar em português e ser entendida na primeira tentativa.

Se quiser ver como isso funciona na prática, escrevi sobre como funciona o atendimento online para brasileiros fora do país e reuni os temas que aparecem com mais frequência na escuta de quem vive fora.

Manoela Santos, psicanalista

Você não vai precisar explicar do começo

Se o que você leu aqui se parece com o que você vive, podemos conversar. Em português, no seu fuso horário, sem precisar traduzir o que você sente.